terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Nota nº 51 ou Sobre Clarices, Quintanas e Escolhas
Quando vi, tinha comigo às mãos um livros da Clarice. A Descoberta do Mundo, talvez você conheça. Li uma entrevista com o Neruda, o que me foi suficiente para quatro hora de sono levíssimo. O Neruda é outra figura fundamental. Lembro que o conheci quando estava de amores com uma menina. Ela gostava de poesia. Eu já conhecia alguns autores, sabia uns poemas do Quintana de cor. Foi num certo ponto da conversa, que ela me disse: você precisa ler Neruda. E me recomendou o 20 Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada. No dia seguinte, ansioso que sou com livros, o tal estava na minha cabeçeira. E seria meu pra sempre. Mas, honestamente, o post não era pra falar do Neruda. Comecei a falar da Clarice, que eu senti que ela foi minha forma de me salvar hoje. Faz tempo que não leio Clarice. E eu sempre lembro da minha vida com o Uma Aprendizagem e com o A Paixão Segundo GH. Procurei os livros na estante com uma vontade de rememorar alguma coisa daqueles dias em que fui dela. Mas lembrei que eu havia me apaixonado. E quando amo, deus, tenho que dar presentes maiores que eu. Os dois estão em outra estante, em outra casa e, provavelmente, não voltarão pra cá. Isso não me entristece: pelo contrário. Acho que os livros escolhem de quem vão ser. Outro dia encontrei a Lina. A Lina é uma pessoa que sempre me foi a imagem da ternura: leve e branca. A gente conversou um pouco, eu lembrei a ela do livro do Stanislavski que eu havia lhe emprestado. Ela ficou meio sem graça naturalmente. Eu fiz de propósito. Porque, havia uns três meses, eu comprara o mesmo livro mais uma vez. Aí eu falei isso pra ela: o livro te escolheu, Lina. Ela sorriu. A Lina sorrindo foi grande. Mas, sim: está chegando o ano novo e eu quero novos olhos. Deus sabe o que será de mim em 2011. Eu sou meu deus. Mas chega de papo, que estou doente. Dormir. Mas, antes, ler Clarice, que ninguém é de ferro.
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