sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Nota nº 52 ou O Estado da Pergunta

Faz noite finalmente. O que de mim me fica descoberto? O que se desvela? Há música neste quarto. Que outro corpo caberia aqui? Como eu o chamaria? Ando tendo talento para perguntas. Que procuro? Que pretendo encontrar no meu corpo? O ritmo que sinto parece uma explosão. Fumar um cigarro. Que procuro respirar na fumaça do cigarro? Que parte do meu corpo tento suportar? Ando descobrindo minha dor corporal absolutamente. Escrever automaticamente faz meu corpo me dizer coisas que não sabia. Escrever me é descobrir o nome do corpo. O nome do corpo. Que quero dizer com isso? Pensar no mistério que está. As ciências não me dizem nada a mim mesmo que estou. Há tantas falas que não dizem nada pelas ruas. Onde estará a franqueza de se ser fraco nos rostos das ruas do Rio à noite? Uma mulher, por exemplo. Que mulher deixará a mim estar dentro dela? Que mulher me quererá me ser dentro deste corpo? O amor deve ser gostar de ouvir nomes. Não estou entendendo o que me digo. Ando sendo eu intrinsecamente? Escrever não deve ser uma coisa de outro mundo. Estar neste mundo: sim. Quero beijar uma mulher neste mundo. Abrir os olhos. De que será feito abrir os olhos neste mundo? Meu corpo me sou eu a mim. Não ter medo do que vem de dentro. Abrir os olhos do corpo. A noite vem e antes que faça silêncio será preciso ver.

O quê?

Estar em estado de pergunta.

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