quinta-feira, 10 de março de 2011

Nota nº 55 ou Deus, Descartes e Nietzsche estão mortos

Estava procurando um texto nos meus manuscritos e achei esse. Cheguei a ficar com dúvida se, de fato, eu o escrevera. Me não reconheci...

"Então a gente volta à morte. A gente põe na cara uma máscara sem expressão alguma e desfila por sobre o Grande Palco. E, por ora, nos confundimos com a personagem diabólica. Então a coisa toda fica sendo nosso medo maior. Porque você se olha na porra do espelho e vê uma não-expressão. Como se o não-expressivo (ou exprimido) fosse visível. Mas você não se importa, dá qualquer sentido pobre ao fato de se sentir prestes a cair, quando só se cai para dentro de. Então a gente nomeia a morte, querendo fazer dela alguma coisa nossa. Nós a revivemos no corpo. De certo jeito que, senhoras e senhores, mal chego a acreditar. Nós a trazemos denso para o nosso corpo. Acho que essa vontade de destruir é corporal. Mas estou começando a achar pobre destruir assim. Se sou coisa a desrescontruir-se: Descartes, Deus e Nietzsche estão mortos. A morte não cai para lugar algum. Ela é queda inconcebível e sem nome. A morte, em si, não veio ao reino dos poetas, meus irmãos. A morte ficou no lado de fora. Espreitando grave. Esperando a poesia acabar."

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