sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Nota nº 70 ou Napoleônica

Napoleônica

Um Napoleão, ele disse
olhando com muitos olhos.
Um Napoleão,
pungente e firme como unha encravada.
Pedi que me contasse a história.
Não a de Napoleão,
(longínqua e intata)
mas a história grave.
Falou da fome de mundo,
um saboroso e
perigoso paladar.
(O perigo está em perder olhos).
O Napoleão em mim,
ele disse,
está corporal.
Então fiz perguntas como quem chega a uma país estrangeiro cheio de cheiros e pessoas novas com nomes nunca ouvidos mas muito educados e amáveis e nos olham com compaixão como quem pretende ajudar alguém que por natureza é feito para se perder.
Meu Napoleão,
ele disse,
será meu e real como uma casa iluminada.







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